sábado, 28 de fevereiro de 2015

BANCO ESCOLA

Banco Escola

Para uma boa compreensão do sistema educacional, precisamos  compreender alguns aspectos básicos da natureza, só recentemente revelados pela ciência.  Me refiro a Teoria dos Fractais de Benoît Mandelbrot e a Teoria do Caos, a partir de Edward Lorenz, visto que estes dois saberes são esclarecedores da ordem na desordem, do plano na ausência de plano, da regularidade na irregularidade,  da extrema semelhança entre a parte e o todo,  ou seja, da repetição do todo em escalas menores e das partes em escalas maiores, assim como uma previsibilidade científica com pequena margem de erro.
            Então, para compreendermos melhor determinado sistema, basta-nos  verificar a operacionalidade de outro, correlato, porém, mais explicito ou, ainda, verificar ,conforme os preceitos voltados para operacionalidade sistêmica, fazendo o máximo possível de observações e identificando aspectos aparentemente desconexo por apresentarem minúsculos graus de liberdade.  Lembrando que o  nexialismo    é tido como certo e verdadeiro  e a dúvida está em  como se dá a  conexão.
            Com base nestas estratégias, vamos explorar um aparente paradoxo  brasileiro onde o Brasil aparece, conforme resultados do PISA, em 36º colocado (http://veja.abril.com.br/blog/impavido-colosso/em-ranking-da-educacao-com-36-paises-brasil-fica-em-penultimo/), a frente apenas do México. Situação, concomitantemente, corroborada pelo   IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que aponta um grande número de escolas com índices inferiores a 5 numa escala de 0 a 10 (https://www.youtube.com/watch?v=S5XEnkXIsuY) e ; embora, paradoxalmente,  uma pesquisa realizada pelo INEP em 2004 conclua que:
“De um modo geral, os pais e mães têm um grau razoável de satisfação com a escola pública brasileira no nível fundamental, principalmente em relação à amplitude da rede física, às condições de acesso, facilidade de obtenção de matrícula, às oportunidades oferecidas e à distribuição de livros didáticos.”

Bom, as pesquisas, conforme o INEP, conclui que os pais estão satisfeitos com a rede escolar e que  não qualificam da mesma forma as escolas onde seus filhos estão matriculados. Ora são dois aspectos relevantes e contraditórios. Sugerindo uma pesquisa inconsistente se não houver mais aprofundamento nas análises de forma que esclareça esta ambiguidade, aparentemente, paradoxal.
Vejamos, na prática observa-se uma postura contrária, as respostas dos pais a esta pesquisa que conclui sobre a desqualificação das escolas dos próprios filhos pois,  como se diz no âmbito sistêmico,  aí ocorre um caso de teoria esposada, ou seja: dizemos uma coisa com as palavras e outra  com as ações. Isto faz com que muitos cientistas sociais, por inexperiência, concluam falsas verdades nas pesquisas qualitativas. Como está claro que ocorreu nesta pesquisa do INEP.  Então, neste caso basta discorrer  usando o que conhecemos na prática escolar, onde  sabemos que as reuniões com pais, em sua maioria são pouco frequentadas e que quando ações são direcionadas para estes, exigindo o comparecimento em dias sequenciais,  de um modo geral, as presenças minguam ainda mais.   Ora, isto revela certa despreocupação e, ao mesmo tempo, é um indicativo de que as coisas, para eles, caminham bem, conforme suas não presenças, pois se sentem seguros para não comparecerem. Isto está em consonância com a primeira conclusão da pesquisa relativa a satisfação positiva dos pais quanto a qualidade do ensino nas escolas públicas. Não há paradoxo de fato.
 Pois bem, isto chama minha atenção para um detalhe que, aparentemente, escapa em certas publicações correlatas sobre educação. Ora, se na opinião dos pais, as escolas, de um modo geral, vão bem e os outros indicativos mostram que as escolas vão mal. Logo, posso concluir que é esta satisfação dos pais que alimenta o mau funcionamento do processo escolar e, acrescento, como corolário, que um determinado papel sistêmico que os pais têm a responsabilidade de cumprir, não vem sendo cumprido por inconsciência sistêmica quanto ao processo. Ou seja, nem os pais e nem as escolas se dão conta de que o sistema só operará plenamente quando as partes cumprirem, na integra, com suas funções e não falo aqui de levar os pais para a escola, solicitar participação dos pais em tudo que a escola pretenda fazer, como festas ou eventos. Não é isto a função sistêmica dos pais. São, apenas, relações sociais, também importante, mas que não realiza a função sistêmica esperada. Falo do país, das escolas e das famílias compreenderem que os pais estão para o sistema escolar , assim como, o sistema digestório está para o corpo humano, pois assim como este sistema nutre todo o corpo a partir dos alimentos deglutidos, os pais são encarregados de facilitar a fixação dos conhecimentos adquiridos por seus filhos na escola, enquanto alunos e elevá-los a categoria de estudantes ao estudarem em casa. Ou seja, quem faz dos alunos, estudantes, são os pais com os procedimentos corretos, pragmáticos e amorosos na hora certa e, mais facilmente, quando a criança, por lhe faltar a capacidade de abstração, aceita como verdade os ensinamentos que os pais, assim como, parentes,  professores e outros  lhes proporcionam.
 Tenho sugerido por onde dou aulas, que os pais montem, em casa, para seus filhos o ‘banco escola,’ que é uma cadeira e uma mesa especiais para que ali a mãe e o pai possam lhes transmitir o hábito do estudo. Onde o  aluno se transforma em estudante realizando o processo de fixação, codificando em seu cérebro o que deve ser preservado durante o sono restaurador, para construção de uma aprendizagem significativa, profunda e permanente.  
Por fim, agora sabendo que não há tal paradoxo e tudo não passou de dados  mau interpretados, faz sentido considerar a ideia do banco escola como sinal de consciência do papel dos pais dentro do sistema educacional. Se os pais nunca forem as reuniões escolares mas ensinam seus filhos a serem  estudantes, os alunos serão bons, as escolas serão boas e o Brasil, um pais de auto superação.

                                                                                              Celso Piarelli

2 comentários:

Claudia Messores disse...

Gostei! vale salientar a questão da conscientização dos pais no fundamental papel que possuem principalmente no inicio da vida escolar do/a filho/a. Participando ativamente em casa, criando um espaço próprio para a criança estudar, ajudando a criar o hábito do estudo fazendo isso todos os dias, em horário apropriado, regularizando o horário de dormir, com no minimo 8 horas de sono. Assim formamos estudantes de verdade. Pessoas que aprendem e não esquecem. Pessoas que agem com prazer ao descobrir o grande universo que está ao seu alcance, basta ter o conhecimento e as ferramentas apropriadas. Cada um cumprindo o seu papel. Escola ensinando, pais apoiando e alunos estudando.
Conforme Pierluigi Piazzi: “Aluno é quem assiste aulas; estudante é quem estuda”, e tem mais para fixação para sempre das informações no cérebro. Ensinou: é preciso estudar (sozinho e escrevendo) todos os dias, rigorosamente, e ter uma boa noite de sono, pois é só durante o sono que a informação é transmitida para o córtex cerebral, a área que consolida informações de curto prazo em longo prazo. E para que a lição fosse realmente aprendida, recitou o que já é uma espécie de mantra entre seus alunos: “Aula dada... aula estudada... HOJE!”.

Claudia Messores disse...

Gostei! vale salientar a questão da conscientização dos pais no fundamental papel que possuem principalmente no inicio da vida escolar do/a filho/a. Participando ativamente em casa, criando um espaço próprio para a criança estudar, ajudando a criar o hábito do estudo fazendo isso todos os dias, em horário apropriado, regularizando o horário de dormir, com no minimo 8 horas de sono. Assim formamos estudantes de verdade. Pessoas que aprendem e não esquecem. Pessoas que agem com prazer ao descobrir o grande universo que está ao seu alcance, basta ter o conhecimento e as ferramentas apropriadas. Cada um cumprindo o seu papel. Escola ensinando, pais apoiando e alunos estudando.
Conforme Pierluigi Piazzi: “Aluno é quem assiste aulas; estudante é quem estuda”, e tem mais para fixação para sempre das informações no cérebro. Ensinou: é preciso estudar (sozinho e escrevendo) todos os dias, rigorosamente, e ter uma boa noite de sono, pois é só durante o sono que a informação é transmitida para o córtex cerebral, a área que consolida informações de curto prazo em longo prazo. E para que a lição fosse realmente aprendida, recitou o que já é uma espécie de mantra entre seus alunos: “Aula dada... aula estudada... HOJE!”.