domingo, 19 de abril de 2015

CARGO E FUNÇÃO DA FAMÍLIA PARA UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE


            Para iniciar cito o seguinte artigo da LDB:

Art. 32º. O ensino fundamental, com duração mínima de oito anos, obrigatório e gratuito na escola pública, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante:
I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
            Chamo a atenção para “ O desenvolvimento da capacidade de aprender”. Termo mais abrangente do que, inicialmente, possa parecer e, neste artigo,   devemos considerar a necessidade de condições necessárias e suficientes para a construção de autonomia visto que seu objetivo é a formação do indivíduo para um perfeito desempenho social e, neste caso, acrescento: também para um perfeito desempenho estudantil, fator preponderante para a boa formação do indivíduo.
            Considerando a questão dos valores quanto a sua importância na formação do indivíduo, podemos facilmente verificar que, estes, envelopam as ações de tomadas de decisões significativas e por tanto determinam a construção histórica do indivíduo. História esta que, por vezes, é tomada como algo além de uma história. Assumindo , assim, o papel representativo da própria pessoa. Ora, como sabemos, os pais são os protagonistas da formação destes valores, mesmo que não tenham consciência disto, o que acaba, por fim, fazendo uma grande diferença quando se trata, quantitativamente, do pequeno número de pais que se aprimoram para dar o melhor de si a seus filhos. Resultado: assim caminha a humanidade que conforme a intuição ou os acasos produzem qualidade formativa dos valores e, sem a intenção consciente, também, estes pais, conseguem gerar hábitos de alavancagem que apontam para uma boa fixação do aprendizado com ações, do tipo comandos, dizendo: “pega seu material, senta lá na mesa e vá estudar, não quero saber de notas baixas” e, às vezes, comandos como estes, entram em ressonância com uma mente que aceita que há relevância neste comando e experimenta sentar e estudar e, consequentemente colhe os bons frutos desta ação que, por repetição, se transforma num hábito alavancador de sucesso estudantil levando este aluno até aos ensinamentos de nível superior. Pois bem, é este acaso que precisa ser eliminado e dar lugar a consciência capaz de construir, intencionalmente, o hábito estudantil.
             O hábito de estudar, compreendido como uma ferramenta de aprendizado, é essencial ao aprimoramento de sua leitura de mundo. Portanto, aprimora o aprendizado. É a chave do sucesso do aprendiz e, esta,  não está focada apenas no ensinar e sim, também, na fixação dos conhecimentos e os pais são os seres mais adequados para construção deste hábito em seus filhos, cumprindo, então, o seu verdadeiro papel dentro do processo educativo.
            Portanto, convém ao pai ou mãe ou responsável que ama verdadeiramente seu filho não se esquivar de seu dever ou obrigação. Tão importante quanto a ação de ensinar é a ação de aprender e fixar.

 Quadro resumo/complementar

PROFESSOR
ALUNO
PAI
Ensina(!) e para tal precisa, logicamente, se preparar diariamente, se atualizando, pesquisando, produzindo, planejando e avaliando.
Lembrando que seu ensino deve considerar todas as facilitações necessárias para que o aluno  em casa possa, de fato, estudar, exercitar e o pai possa ajuda-lo com facilidade. Ou seja: O professor deve ser pesquisador, líder e criativo. 
Compreende(!) e para tal precisa estar em dia com os aprendizados anteriores, conseguindo isto somente estudando em casa o que compreendeu em sala de aula, no mesmo dia que aprendeu, assim como, nos dias subsequentes dando continuidade ao processo de fixação.
   O aluno estudante não precisará fazer pré-vestibular
Coordena(!) a fixação fazendo com que o aluno estude   em casa diariamente. O aluno estudante aprende. Aluno não estudante esquece e isto significa má formação e um cidadão sem autonomia.
   Amar o filho é merecer a honra de ser pai ou mãe.

quarta-feira, 18 de março de 2015

APRESENTAÇÃO

Dentro deste conceito, educar com consciência, significa apenas sugerir o tempo todo que as pessoas estejam presentes em suas ações e ao mesmo tempo, que possam vê-las interligadas, sistematicamente, a um todo operante e sensível a estas. Desta forma, damos um basta ao estado de alienação em seu grau mais elevado por se tratar de si mesmo, quanto a sua relação ou conexão com o mundo.
Para uma boa exploração de nossa relação com o macrossistema foi pensado como plataforma base, a educação e a culinária. Portanto, cabe aqui, algumas considerações axiomáticas para construção de uma lente que possa ajudá-los a perceberem a mecânica operacional com alto grau de facilidade:
• Tudo que existe pertence a um sistema e ajuda a formá-lo.
• Um sistema opera eficazmente quando fornece ao sistema maior o produto adequado para sua operacionalidade.
• Um sistema para ser criado convém ser necessário.
• Sistemas não são 100% precisos, por comportar um fator caótico, o que exige um contínuo estado de presença e alerta constantes, associados a sua sobrevivência, mutações e recomeço.
Então, com base nestes preceitos, vamos pensar e explorar, neste blog, o mundo educacional, como macrossistema complexo e necessário e, levando em consideração a correlação entre educação e culinária, a medida que ambas atuam na nutrição do sistema, 'ser humano', esclareço que, por conseguinte, este blog está associado a mais dois, com o intuito de abastecer o leitor com reflexões, vivências e soluções para se viver um dia a dia com educação e saúde em alta e, desta forma colaborar com as pessoas, famílias, escolas e a sociedade em geral.


CLAUDIA MESSORES
http://culinariaconsciente.blogspot.com.br/
RENATA RUDOLF
http://culinariaconscientekids.blogspot.com.br/
Clicando nos links ao lado, vocês acessarão aos blogs da Cláudia e da Renata. Fantásticos!CULINÁRIA CONSCIENTE!

USURPAÇÃO DE MÉRITO ALHEIO

Uma vez que compreendemos a dinâmica e a composição do sistema educacional, é difícil não  percebermos certas situações que se estabeleceram ao longo do tempo,  respaldada pela falta de visão sistêmica da população, assim como das instituições. Refiro-me aos méritos educativos ostentados por universidades públicas e cursos pré-vestibulares. Ora, se analisarmos, mesmo que sucintamente, o processo educacional com um olhar sistêmico, perceberemos com clareza que, de fato,  o mérito do sucesso estudantil está nas mãos erradas. Pois, partindo do princípio preconizado pela  LDB no artigo 32  quanto a formação básica do cidadão, onde nossa constituição demonstra ignorar completamente a importância do  desenvolvimento do hábito de estudos que deveria ser considerado como complementação essencial do inciso I do Art. 32, que diz: “O ensino fundamental, com duração mínima de oito anos (hoje, 9 anos- observação minha), obrigatório e gratuito na escola pública, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante: I - o desenvolvimento da capacidade de aprender (grifo meu), tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo”. Este inciso estaria mais coerente se nele constasse que, como função dos pais (peça sistêmica integrante, e necessária, do sistema educacional) estes, devam trabalhar o desenvolvimento do hábito de estudar (ação a ser praticada em casa, preferêncialmente.), hoje, tem sido, aleatoriamente, desenvolvida por alguns pais intuitivamente, quando estimulam seus filhos, na idade adequada, ao exercício estudantil diário. O que, mais tarde, sempre  acarreta bons resultados no processo de aprendizagem destas crianças que, por conta desta prática, se tornam  aptas,  com plena capacidade de aprender.
            Com o exposto acima, complemento que os pais são a mola mestra  da boa educação científica, assim como o é em relação a economia, onde as famílias investem a fundos perdidos na educação de seus filhos, preparando-os para as empresas e todos os segmentos relativos ao trabalho. Ou seja, os pais ou responsáveis abastecem com seus filhos cursados e , inclusive, com valores, os diversos nichos operantes da sociedade como: saúde, economia, educação, etc. Contudo, estas crianças que crescem e se desenvolvem com valores e o hábito estudantil incorporados graças ao trabalho sistêmico dos pais, acabam se tornando os bons alunos dos cursinhos e das  universidades públicas que, por praticarem uma educação excludente, selecionando os melhores estudantes e matriculando-os, usurpam o mérito familiar, onde a família é , de fato, aquela que preparou o filho como um bom estudante e, portanto, é a responsável pelo sucesso destes bons alunos que sustentam a dita qualidade dos cursinho e universidades públicas. Principalmente, as federais que, infelizmente, em sua maioria não conseguem, nem se quer, proporcionar um curso universitário noturno para população, obrigando outros tantos de bons alunos, com grande sacrifício,  se sujeitarem a pagar preços exorbitantes para cursarem faculdades privadas, lamentavelmente.
Bem, certamente, este falso mérito, é desconhecido até mesmo dos docentes e administradores destes estabelecimentos já citados e, consequentemente, devo supor, também dos alunos e pais envolvidos no sistema educacional e, tudo isto, por um simples motivo: não conhecem, de fato, quais são suas funções dentro do processo sistêmico educacional. Isto, talvez ocorra,  por que a nossa  LDBEN 9394/76 Ignora a real função dos pais, para que o processo educacional funcione a medida que o aluno que aprende a aprender atue, realmente, como aprendiz ampliando sua memória de longo prazo incorporando a autonomia esperada para exercer sua plenitude como cidadão.
Em nosso país, os pais não têm sido considerados como parte integrante do sistema educacional, ficando relegado a um plano secundário  onde são  lembrados apenas quando as escolas precisam de algum tipo de apoio ou para entrega de boletins, jamais participando  de uma reunião pedagógica.

                                                                                                                                             Celso Piarelli

sábado, 28 de fevereiro de 2015

BANCO ESCOLA

Banco Escola

Para uma boa compreensão do sistema educacional, precisamos  compreender alguns aspectos básicos da natureza, só recentemente revelados pela ciência.  Me refiro a Teoria dos Fractais de Benoît Mandelbrot e a Teoria do Caos, a partir de Edward Lorenz, visto que estes dois saberes são esclarecedores da ordem na desordem, do plano na ausência de plano, da regularidade na irregularidade,  da extrema semelhança entre a parte e o todo,  ou seja, da repetição do todo em escalas menores e das partes em escalas maiores, assim como uma previsibilidade científica com pequena margem de erro.
            Então, para compreendermos melhor determinado sistema, basta-nos  verificar a operacionalidade de outro, correlato, porém, mais explicito ou, ainda, verificar ,conforme os preceitos voltados para operacionalidade sistêmica, fazendo o máximo possível de observações e identificando aspectos aparentemente desconexo por apresentarem minúsculos graus de liberdade.  Lembrando que o  nexialismo    é tido como certo e verdadeiro  e a dúvida está em  como se dá a  conexão.
            Com base nestas estratégias, vamos explorar um aparente paradoxo  brasileiro onde o Brasil aparece, conforme resultados do PISA, em 36º colocado (http://veja.abril.com.br/blog/impavido-colosso/em-ranking-da-educacao-com-36-paises-brasil-fica-em-penultimo/), a frente apenas do México. Situação, concomitantemente, corroborada pelo   IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que aponta um grande número de escolas com índices inferiores a 5 numa escala de 0 a 10 (https://www.youtube.com/watch?v=S5XEnkXIsuY) e ; embora, paradoxalmente,  uma pesquisa realizada pelo INEP em 2004 conclua que:
“De um modo geral, os pais e mães têm um grau razoável de satisfação com a escola pública brasileira no nível fundamental, principalmente em relação à amplitude da rede física, às condições de acesso, facilidade de obtenção de matrícula, às oportunidades oferecidas e à distribuição de livros didáticos.”

Bom, as pesquisas, conforme o INEP, conclui que os pais estão satisfeitos com a rede escolar e que  não qualificam da mesma forma as escolas onde seus filhos estão matriculados. Ora são dois aspectos relevantes e contraditórios. Sugerindo uma pesquisa inconsistente se não houver mais aprofundamento nas análises de forma que esclareça esta ambiguidade, aparentemente, paradoxal.
Vejamos, na prática observa-se uma postura contrária, as respostas dos pais a esta pesquisa que conclui sobre a desqualificação das escolas dos próprios filhos pois,  como se diz no âmbito sistêmico,  aí ocorre um caso de teoria esposada, ou seja: dizemos uma coisa com as palavras e outra  com as ações. Isto faz com que muitos cientistas sociais, por inexperiência, concluam falsas verdades nas pesquisas qualitativas. Como está claro que ocorreu nesta pesquisa do INEP.  Então, neste caso basta discorrer  usando o que conhecemos na prática escolar, onde  sabemos que as reuniões com pais, em sua maioria são pouco frequentadas e que quando ações são direcionadas para estes, exigindo o comparecimento em dias sequenciais,  de um modo geral, as presenças minguam ainda mais.   Ora, isto revela certa despreocupação e, ao mesmo tempo, é um indicativo de que as coisas, para eles, caminham bem, conforme suas não presenças, pois se sentem seguros para não comparecerem. Isto está em consonância com a primeira conclusão da pesquisa relativa a satisfação positiva dos pais quanto a qualidade do ensino nas escolas públicas. Não há paradoxo de fato.
 Pois bem, isto chama minha atenção para um detalhe que, aparentemente, escapa em certas publicações correlatas sobre educação. Ora, se na opinião dos pais, as escolas, de um modo geral, vão bem e os outros indicativos mostram que as escolas vão mal. Logo, posso concluir que é esta satisfação dos pais que alimenta o mau funcionamento do processo escolar e, acrescento, como corolário, que um determinado papel sistêmico que os pais têm a responsabilidade de cumprir, não vem sendo cumprido por inconsciência sistêmica quanto ao processo. Ou seja, nem os pais e nem as escolas se dão conta de que o sistema só operará plenamente quando as partes cumprirem, na integra, com suas funções e não falo aqui de levar os pais para a escola, solicitar participação dos pais em tudo que a escola pretenda fazer, como festas ou eventos. Não é isto a função sistêmica dos pais. São, apenas, relações sociais, também importante, mas que não realiza a função sistêmica esperada. Falo do país, das escolas e das famílias compreenderem que os pais estão para o sistema escolar , assim como, o sistema digestório está para o corpo humano, pois assim como este sistema nutre todo o corpo a partir dos alimentos deglutidos, os pais são encarregados de facilitar a fixação dos conhecimentos adquiridos por seus filhos na escola, enquanto alunos e elevá-los a categoria de estudantes ao estudarem em casa. Ou seja, quem faz dos alunos, estudantes, são os pais com os procedimentos corretos, pragmáticos e amorosos na hora certa e, mais facilmente, quando a criança, por lhe faltar a capacidade de abstração, aceita como verdade os ensinamentos que os pais, assim como, parentes,  professores e outros  lhes proporcionam.
 Tenho sugerido por onde dou aulas, que os pais montem, em casa, para seus filhos o ‘banco escola,’ que é uma cadeira e uma mesa especiais para que ali a mãe e o pai possam lhes transmitir o hábito do estudo. Onde o  aluno se transforma em estudante realizando o processo de fixação, codificando em seu cérebro o que deve ser preservado durante o sono restaurador, para construção de uma aprendizagem significativa, profunda e permanente.  
Por fim, agora sabendo que não há tal paradoxo e tudo não passou de dados  mau interpretados, faz sentido considerar a ideia do banco escola como sinal de consciência do papel dos pais dentro do sistema educacional. Se os pais nunca forem as reuniões escolares mas ensinam seus filhos a serem  estudantes, os alunos serão bons, as escolas serão boas e o Brasil, um pais de auto superação.

                                                                                              Celso Piarelli