Uma vez que compreendemos a dinâmica e
a composição do sistema educacional, é difícil não percebermos
certas situações que se estabeleceram ao longo do tempo, respaldada
pela falta de visão sistêmica da população, assim como das instituições.
Refiro-me aos méritos educativos ostentados por universidades públicas e cursos
pré-vestibulares. Ora, se analisarmos, mesmo que sucintamente, o processo
educacional com um olhar sistêmico, perceberemos com clareza que, de
fato, o mérito do sucesso estudantil está nas mãos erradas. Pois,
partindo do princípio preconizado pela LDB no artigo 32 quanto
a formação básica do cidadão, onde nossa constituição demonstra ignorar
completamente a importância do desenvolvimento do hábito de estudos
que deveria ser considerado como complementação essencial do inciso I do Art.
32, que diz: “O ensino fundamental, com duração mínima de
oito anos (hoje, 9 anos- observação minha), obrigatório e gratuito na
escola pública, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante: I
- o desenvolvimento da capacidade de aprender (grifo
meu), tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do
cálculo”. Este inciso estaria mais coerente se nele constasse que, como
função dos pais (peça sistêmica integrante, e necessária, do sistema
educacional) estes, devam trabalhar o desenvolvimento do hábito de estudar
(ação a ser praticada em casa, preferêncialmente.), hoje, tem sido,
aleatoriamente, desenvolvida por alguns pais intuitivamente, quando estimulam
seus filhos, na idade adequada, ao exercício estudantil diário. O que, mais
tarde, sempre acarreta bons resultados no processo de aprendizagem
destas crianças que, por conta desta prática, se tornam aptas, com
plena capacidade de aprender.
Com
o exposto acima, complemento que os pais são a mola mestra da boa
educação científica, assim como o é em relação a economia, onde as famílias
investem a fundos perdidos na educação de seus filhos, preparando-os para as
empresas e todos os segmentos relativos ao trabalho. Ou seja, os pais ou
responsáveis abastecem com seus filhos cursados e , inclusive, com valores, os
diversos nichos operantes da sociedade como: saúde, economia, educação, etc.
Contudo, estas crianças que crescem e se desenvolvem com valores e o hábito
estudantil incorporados graças ao trabalho sistêmico dos pais, acabam se
tornando os bons alunos dos cursinhos e das universidades públicas
que, por praticarem uma educação excludente, selecionando os melhores
estudantes e matriculando-os, usurpam o mérito familiar, onde a família é , de
fato, aquela que preparou o filho como um bom estudante e, portanto, é a
responsável pelo sucesso destes bons alunos que sustentam a dita qualidade dos
cursinho e universidades públicas. Principalmente, as federais que, infelizmente,
em sua maioria não conseguem, nem se quer, proporcionar um curso universitário
noturno para população, obrigando outros tantos de bons alunos, com grande
sacrifício, se sujeitarem a pagar preços exorbitantes para cursarem
faculdades privadas, lamentavelmente.
Bem, certamente,
este falso mérito, é desconhecido até mesmo dos docentes e administradores
destes estabelecimentos já citados e, consequentemente, devo supor, também dos
alunos e pais envolvidos no sistema educacional e, tudo isto, por um simples
motivo: não conhecem, de fato, quais são suas funções dentro do processo
sistêmico educacional. Isto, talvez ocorra, por que a nossa LDBEN
9394/76 Ignora a real função dos pais, para que o processo educacional funcione
a medida que o aluno que aprende a aprender atue, realmente, como aprendiz
ampliando sua memória de longo prazo incorporando a autonomia esperada para
exercer sua plenitude como cidadão.
Em nosso país, os
pais não têm sido considerados como parte integrante do sistema educacional,
ficando relegado a um plano secundário onde são lembrados
apenas quando as escolas precisam de algum tipo de apoio ou para entrega de
boletins, jamais participando de uma reunião pedagógica.
Celso
Piarelli
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